Lília Lima, mãe de Davi, desaparecido em março de 2021, aos 9 anos: ‘Sumiu sem ninguém ver ou ouvir nada’ - Foto: Uendel Galter/ Ag. A TARDE
Em 2023, 4.529 pessoas estavam desaparecidas na Bahia, aponta o Anuário de Segurança Pública 2024 – um aumento de 19,2% em comparação ao ano anterior. Nesse cenário, de um lado diversos órgãos tentando encontrar essas pessoas, enquanto do outro lado milhares de pais, mães, filhos, cônjuges e amigos, desesperados, querem saber o paradeiro de seus entes queridos. “Não saber é uma dor imensurável. Quando você sabe que a pessoa não vai voltar a dor é outra. Não tem um único dia que não pense no meu filho”, afirma Lilia Maria lima, mãe de Davi Lima da Silva, que desapareceu em março de 2021, aos 11 anos.
O desaparecimento ocorreu quando a família saiu de Salvador para passar o período da Páscoa em Itiúba (norte do estado), terra natal de Lilia, e onde moram sua mãe e irmã. “A gente costumava ir para lá em todos os períodos de festa e nas férias. A casa de minha mãe fica a cerca de 300m da de minha irmã, então minha mãe não achou estranho quando Davi saiu correndo de lá na direção da casa dela. Foi nesse caminho de apenas 300 metros, de dia, que ele sumiu sem ninguém ver ou ouvir nada”, recorda Lilia.
Na época, Lilia trabalhava como fotógrafa, e havia saído por menos de 2h para fazer o ensaio de uma gestante. Quando voltou, encontrou a família e os vizinhos percorrendo o entorno da casa da mãe. “Era um mundo de gente. Passei dias procurando e gritando por ele. Veio a polícia, caçadores, helicóptero e até cães farejadores, mas o rastro dele sumia a meio caminho da serra, sem sinal algum de nada”, relata frustrada. Lilia parou de fotografar, pois se sentia culpada. “Só penso que não devia ter saído naquele dia, não devia ter deixado ele lá. Ainda lembro da cara dele se despedindo de mim”, recorda emocionada.
Lilia vendeu o carro e os equipamentos fotográficos para custear a busca, que contou até com um investigador particular. Toda vez que um delegado novo entra, levo o caso para ele ou ela, e uma nova investigação é feita. Isso já aconteceu umas cinco vezes e a atual delegada de Itiúba, numa mensagem que ela me mandou ainda essa semana, disse: ‘Acredito que semana que vem terei informações para te dar. Um abraço’. Mas é sempre isso e nunca encontram ele”, lamenta ela, chorosa.
Fonte: Jornal A Tarde