Acarajé é prato típico da Bahia - Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE
O dendê é o tempero da Bahia. Presente na culinária, cultura, religião e imaginário do estado, hoje só 1,3% da produção nacional da especiaria acontece por aqui, segundo dados de 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 66 municípios que chegaram a produzir o azeite de dendê, apenas 5 mantêm o plantio. A escassez da produção baiana ameaça o mercado de acarajés, pode gerar alta nos preços, e o produto importado pode gerar uma alteração nos sabores de diversos outros pratos e, quiçá, da própria Bahia.
Seja por conta da escassez da produção estadual, ou pelos custos de importação, baianas de acarajé relatam que sentem o aumento do preço do azeite de dendê. É o caso de Adriana Brito, que evita repassar o novo custo para os clientes e só aumenta o valor do seu acarajé no começo do ano. Hoje são R$15 sem camarão e R$17 com. Uma das estratégias de Adriana para diminuir o prejuízo é reutilizar o azeite de outras formas.
“Pra mim é mais fácil porque reaproveito o azeite, faço sabão com ele para o meu trabalho. Amo usar esse sabão para lavar prato e lavar roupa. Ainda não vendo, compartilho com minhas amigas, mas tenho pensado em vender, porque tem muita gente que gosta”, explica Adriana.
Já Maria das Graças, mais conhecida como a baiana Neinha, comenta que compra o azeite na Feira de São Joaquim, mas só vai nas marcas que já conhece, porque sente uma diferença grande nas outras. “Tem uns que vem com um pózinho, que você bota o azeite no fogo, começa a esquentar e vira óleo, não fica aquele dendê. Muda a textura e depois muda o sabor do acarajé e do vatapá”, ressalta.
O Pará é responsável por 2.835.049 toneladas de produção de coco de dendê – matéria prima do azeite de dendê -, segundo dados de 2023 do IBGE. O estado respondeu por 97,8% da produção do artigo, enquanto a Bahia apenas 1,3% do total. Roraima é o único outro estado que produz o bem e é responsável por 0,9% do que é produzido no Brasil.
Fonte: Jornal A Tarde