Ferries boat que fazem a travessia Salvador-Itaparica estão sucateados - Foto: Mila Souza/ Ag. A TARDE
À espera de uma ponte para a qual os estudos – e as negociações – ora avançam, ora retrocedem e vendo a oferta de passagens no sistema ferry-boat minguar, ao tempo em que as embarcações vão se deteriorando, a população que precisa fazer a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica se vê cada vez mais sem alternativas viáveis para cumprir o trajeto. Em média, cerca de 20 mil passageiros e 3 mil veículos utilizam o serviço de travessia marítima diariamente.
Na segunda-feira, mais uma vez problemas técnicos causaram atrasos no sistema. Um deles fez com que passageiros tivessem de esperar mais de cinco horas para conseguir desembarcar. Não à toa, sobram frustração e indignação aos usuários do ferry. “É um absurdo ter que esperar tantas horas para conseguir atravessar, isso afeta diretamente o dia-a-dia”, desabafa Maria Lúcia Santos, de 56 anos, moradora de Itaparica, que utiliza o serviço diariamente para trabalhar em Salvador.
A situação também reverbera economicamente. Para quem depende diretamente do ferry-boat para atividades comerciais, como o vendedor João Carmo Silva, de 36 anos, que transporta mercadorias de Salvador para a ilha, o prejuízo é imediato. “Cada hora que passamos na fila é uma hora a menos de trabalho e de ganho”, pondera.
Há também grandes prejuízos indiretos. Todo o comércio e os setores imobiliário e de serviços da ilha há muito sofrem com as intercorrências no ferry, que vão gradativamente afastando visitantes – e tornando os negócios economicamente inviáveis.
Não é preciso andar muito por Itaparica para perceber que parte considerável de restaurantes, bares, pousadas e barracas de praia não conseguiu voltar às atividades no pós-pandemia. Para se ter uma ideia da demanda reprimida pelo gargalo no ferry, o governo estima que o fluxo de veículos na ponte hoje, caso ela já existisse, seria de entre 25 e 30 mil veículos por dia.
5 embarcações estão operacionais no sistema ferry-boat. Há uma década, eram 9.
“Existe o lobby da Ponte Salvador–Itaparica, mas se esquece que a ponte não vai ficar pronta da noite para o dia – e enquanto isso, a população fica nesse suplício”, argumenta o professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba) José Lázaro de Carvalho.
Fonte: Jornal A Tarde